Inventário Judicial - Como Funciona? | Marcello Benevides
Inventário Judicial - Como Funciona? | Marcello Benevides

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Inventário Judicial – Como Funciona?

Inventário judicial - Como funciona?

O inventário judicial é um processo judicial que sucede a morte de um indivíduo. Este tipo de inventário é realizado perante a justiça, apurando o montante dos bens deixados pelo falecido(a) aos Herdeiros. Quer saber com funciona o inventário judicial? Qual o passo a passo para requerer o inventário judicial? Necessita de suporte jurídico nesta questão?

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Inventário judicial – Como Funciona?

Inventário judicial - Como funciona?

A morte está inserida na lista dos fatos mais relevantes para o direito. Fato jurídico é aquele acontecimento cotidiano que produz efeitos na área do direito, sejam efeitos positivos ou negativos. Assim, a morte é um fato jurídico por gerar diversos efeitos relevantes juridicamente. Um desses efeitos que será abordado neste artigo é a questão do inventário judicial.

O inventário é o processo pelo qual ocorrerá o levantamento do patrimônio do falecido para destinar ao processo de partilha de bens entre os herdeiros. Portanto, a via judicial é uma das vias procedimentais do inventário em que, o processo ocorre através da supervisão de um juiz. Mas você sabe como funciona o processo de inventário judicial? Sabe qual o passo a passo que você deve seguir para requerer a abertura do processo? O texto abaixo traz todas as informações para você entender e esclarecer suas dúvidas.


I- O que é o inventário?

Inventário Judicial

O inventário é um processo judicial que ocorre após a morte, ou seja, pela abertura da sucessão. Assim, é por meio do inventário que será apurado todo o patrimônio do falecido, as dívidas e os direitos. Portanto, é com isso que é formada uma universalidade de bens que, posteriormente, será transferida para os herdeiros.


II- Quais as formas para ser realizado o inventário?

Inventário Judicial - Como Funciona?

O inventário pode ocorrer de duas formas diferentes: judicial ou extrajudicial.

O inventário extrajudicial é realizado em cartório, mediante escritura pública. Certamente, é um processo mais simples e rápido, que necessita da contratação de um advogado especialista e, que ocorre quando não há testamento, nem herdeiros incapazes e quando todos os herdeiros estão de acordo. Essa forma de inventário foi instituída pela lei 11.441, de 2007. 

Assim, para saber mais sobre o inventário extrajudicial, assista o vídeo abaixo:

Já o inventário judicial, tema deste artigo, é realizado através de um processo judicial sob supervisão do juiz. Portanto, esta forma de inventário está elencada no artigo 610 do Novo Código de Processo Civil. Assim, o inventário judicial,  deve ser realizado de forma obrigatória nos seguintes casos:

  • A – Nos casos em que o falecido deixou um testamento;
  • B – Nos casos em que há interessados incapazes;
  • C – Nos casos em que há divergência quanto à partilha de bens entre os herdeiros.

III- O que é o inventário judicial?

Como foi dito acima, o inventário judicial é obrigatório quando os herdeiros não entram em um acordo consensual sobre a partilha de bens da herança. Além disso, também é obrigatório quando há presença de herdeiros interessados incapazes. Finalmente, também é obrigatório quando há ausência de testamento. Assim, a partilha de bens será feita judicialmente e é crucial a contratação de um advogado especialista.


IV- Qual o prazo para realizar a abertura do inventário judicial?

Inventário Judicial

O prazo para realizar a abertura do inventário judicial é de 60 dias, a contar da data do óbito. Em contraste, este prazo está elencado no artigo 983 do Código de Processo Civil.

A multa (com juros e atualização monetária), caso o prazo seja descumprido, é atribuída pela Fazenda Estadual. Cada Estado pode decidir qual será o valor da multa, ou seja, os valores variam de local para local. Além disso, vale ressaltar que, a multa é aplicada sobre o valor do ITCD (Imposto sobre Transmissão de Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos).

Finalmente, a aplicação da multa é prevista pela Súmula 542 do Supremo Tribunal Federal. Certamente, é ainda mais importante ressaltar que, esta súmula traz a previsão de que o Estado pode aplicar uma multa como sanção para o atraso na abertura do inventário judicial. Portanto, a súmula diz:

“Não é inconstitucional a multa instituída pelo estado-membro, como sanção pelo retardamento do início ou da ultimação do inventário.” (Súmula 542 do STF).

Por esse motivo, recomendamos que o Inventário seja realizado dentro do prazo, para que multas não sejam aplicadas.


V- Quem pode requerer a abertura do inventário judicial?

Inventário Judicial

Normalmente, a abertura do inventário judicial é realizada pelo administrador do patrimônio do falecido. Os ditames para tal processo devem seguir o disposto no artigo 615 e seguintes do Código de Processo CivilEntretanto, caso o administrador do espólio não realize a abertura do inventário judicial, outros possuem legitimidade para tal ato. Assim, estes são:

  • A- o cônjuge ou companheiro supérstite;
  • B- O herdeiro;
  • C- o legatário;
  • D- o testamenteiro;
  • E- o cessionário do herdeiro ou do legatário;
  • F- o credor do herdeiro, do legatário ou do falecido;
  • G- O Ministério Público, havendo herdeiros incapazes;
  • H- A Fazenda Pública, tendo interesse;
  • I- O administrador judicial da falência do herdeiro, do legatório, do falecido ou do cônjuge ou companheiro supérstite.

Os legitimados concorrentes para realizar a abertura do inventário judicial e, consequentemente, da partilha de bens da herança, estão elencados no artigo 616 do Código de Processo Civil.


VI- Como dar entrada no inventário judicial?

Inventário Judicial

Contrate um advogado! Certamente, não há dúvidas que a presença de um advogado é indispensável, tanto no inventário extrajudicial, quanto no judicial (tema deste artigo). O advogado especialista em inventário será responsável por auxiliar, orientar e representar o inventariante. Além disso, o advogado tem a responsabilidade de cuidar de toda a parte legal e burocrática do processo.

É recomendável que você busque um profissional legalmente habilitado e especializado, tanto em direito da família, quanto em direito das sucessões. Assim, com um profissional especialista no assunto, será bem mais fácil realizar a partilha de bens da herança, evitando grandes e longos conflitos. Além disso, o advogado especializado irá promover um processo mais rápido e bem mais econômico, já que o processo de inventário judicial requer técnica, habilidade e experiência.


VII – Verifique a existência de um testamento

Inventário Judicial - Verifique a existência de um testamento.

É crucial constatar se existe ou não um testamento. O documento testamentário traz a manifestação da vontade do falecido e, por isto, esta vontade deve ser respeitada. Você não sabe como verificar a existência de testamento?

Bom, para fazer esta verificação, você pode acessar o site do Colégio Notarial Brasileiro e buscar pela certidão negativa do testamento ou  CENSEC. No Rio de Janeiro, essa pesquisa pode ser realizada nos 5º e 6º cartórios distribuidores. Certamente, é ainda mais digno de nota que, a maioria dos herdeiros desconhecem a existência do testamento, principalmente quando ele for secreto, ou seja, só poderá ser aberto após o falecimento do testador.

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VIII – Apure o patrimônio.

Com o auxílio do advogado especialista em inventário, será necessário levantar todo o patrimônio do falecido, incluindo dívidas e direitos. Com isso, durante o inventário judicial, haverá a análise e verificação dos bens. Além disso, deve ser verificado se estão regularizados, o seu valor, entre outras providências jurídicas. Assim, o advogado irá realizar o levantamento dos documentos que forem necessários, como matrículas de imóveis, documentos de carros, entre outros.


IX- Escolha a via procedimental.

Inventário Judicial

Após esses passos, o advogado especialista em inventário judicial é habilitado e deve orientar sobre qual via procedimental os herdeiros devem escolher para seguir com o processo de abertura do inventário judicial ou extrajudicial.

Na maioria das vezes, o inventário extrajudicial é a melhor alternativa. Todavia, em alguns casos será obrigatório que a via procedimental seja a judicial. Por este motivo, é sempre bom contratar os serviços advocatícios para saber qual a melhor forma de realizar o inventário. Como estamos falando do inventário judicial, seguiremos com o passo a passo para abrir esse tipo de inventário.


X – Escolha do inventariante.

O inventariante é a pessoa que irá representar o patrimônio que será destinado para a partilha de bens da herança, ou seja, o espólio. Além disso, este terá que responder perante terceiros durante o processo, terá que listar os herdeiros e providenciar a documentação necessária.

Inventário Judicial

Habitualmente, a pessoa escolhida para ser o inventariante é um dos filhos ou o cônjuge. Porém isto não descarta que os legitimados concorrentes realizem a abertura do inventário judicial. Além disso, também é importante lembrar que, o inventariante deve realizar suas funções no prazo de 5 dias, contados a partir da intimação.


XI- Negocie as dívidas com os credores, caso existam.

Inventário Judicial

O inventariante junto com seu advogado especialista em inventário deve fazer o levantamento de todas as dívidas que o falecido deixou e negociá-las com os seus respectivos credores para que, no processo de inventário judicial, esteja especificado a quantidade de dívidas, os seus respectivos valores, a forma e a data de pagamento.

Certamente, é ainda mais importante ressaltar que, os herdeiros não herdam débitos. Assim, as dívidas devem ser pagas com o patrimônio do falecido. Após o pagamento das dívidas é que o patrimônio será destinado à partilha de bens entre os herdeiros.


XII – Realize a divisão os bens

Certamente, é comum haver conflitos entre os herdeiros durante o processo de inventário judicial. O advogado especialista em inventário tem o papel de evitar, reduzir e solucionar os conflitos, promovendo uma divisão amigável dos bens da herança.

Inventário Judicial

Além disso, também é importante ressaltar que, durante a partilha de bens, é necessário destinar metade do patrimônio para os herdeiros necessários, ou seja, aqueles que possuem o direito à herança por exigência expressa da lei. Assim, neste caso, os herdeiros necessários segundo o Código Civil é o cônjuge e os filhos. Portanto, também é  ainda mais digno de nota que, além de dividir os bens, deve ser elaborado o Plano de Partilha para ser apresentado ao juiz e levantar o valor dos impostos.


XIII – Realize o pagamento dos impostos para obter o parecer positivo da Fazenda.

Inventário Judicial

Após os passos formais para a partilha, é necessário que haja a declaração de impostos para emitir as guias de pagamento. Essa declaração é função do advogado especialista em inventário e deve conter a assinatura do inventariante, contendo os dados do inventário judicial e o esboço do plano da partilha de bens. A Fazenda deve verificar se o documento está conforme os ditames legais. Finalmente, caso esteja, deve autorizar o prosseguimento do inventário judicial.

O imposto que deve ser recolhido no processo de inventário judicial é o ITCMD. O ITCMD é um imposto calculado sobre o valor que cada bem possui dentro do mercado. Assim, o imposto é calculado de acordo com percentuais que são estabelecidos por cada Estado de maneira diferente, devendo ser no máximo, um percentual de 8%.

Inventário Judicial

Assim, após o juiz determinar e autorizar o pagamento do imposto pelo juízo, o advogado junto com o inventariante, irá gerar as guias para pagamento em que, o valor será repartido entre os herdeiros. Finalmente, é ainda mais digno de nota que, com a quitação do imposto, a Fazenda declara nos autos do processo do inventário judicial que não se opõe ao prosseguimento do processo.

Certamente, é necessário lembrar a existência de outro imposto que também é importante: o ITBI.  O imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis por Ato Oneroso Inter Vivos incide quando alguns dos herdeiros passa a possuir a maior parte do patrimônio. Portanto, neste caso, a lei interpreta que houve uma espécie de compra e venda.


XIV- Formal de partilha

Quando a decisão que homologa a partilha transita em julgado, ou seja, quando o juiz emite uma sentença definitiva, deve ser emitido o formal da partilha. Este documento autoriza que os herdeiros tomem posses de seus bens e, para isso, deve ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis. Assim, a transferência dos bens aos herdeiros estará garantida.

Assim, no que tange aos bens móveis, como carros, é necessário um alvará judicial. Assim, para que o herdeiro tome posse do bem, este alvará preciso ser expedido. Portanto, também vale ressaltar que, este alvará é emitido na mesma decisão que homologa a partilha de bens.

Finalmente, o formal de partilha deve ter:

  • A- O termo do inventariante e o título de todos os herdeiros;
  • B- O pagamento da parte que é hereditária;
  • C- O valor da quitação de impostos;
  • D- A avaliação dos bens de cada herdeiro;
  • E- A sentença do juiz

Portanto, este é o último passo para finalizar o processo de inventário judicial. Entretanto, o inventariante não pode desistir de suas responsabilidades. Assim, isto ocorre porque após essa etapa, existe a possibilidade de algum dos herdeiros pedir a revisão do processo de inventário judicial.

Assim, para saber mais informações sobre a partilha de bens da herança, recomendamos o vídeo abaixo:

E então, conseguiu entender todo o funcionamento do inventário judicial? Ficou bem mais fácil de realizar a abertura do processo, não é mesmo? Para esclarecer quaisquer dúvidas, siga os passos abaixo.


XV – Ainda tem alguma dúvida sobre inventário judicial?

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Partilha de bens da herança – Entenda de uma vez por todas.

Marcello Benevides

Marcello Benevides

Sócio Fundador e Coordenador Jurídico. Foco em resoluções familiares não traumáticas. Especialista em Inventário e Partilha. Mais de 20 anos dedicados ao estudo do direito. Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Direito de Família (IBDFAM). Pós-Graduado em Direito Empresarial e dos Negócios pela AVM — Universidade Cândido Mendes.

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